
Autismo do rico e autismo do pobre: quando o cuidado vira privilégio
24/04/2026
Inclusão não é evento: a sociedade que ainda não aprendeu a conviver com o diferente
Quando falamos em inclusão, ainda existe uma tendência de restringir esse debate a alguns espaços específicos: a escola, a clínica, ou, no máximo, o mês de conscientização.
Mas a inclusão não pode ser pontual.
Ela não pode ser sazonal.
E ela definitivamente não pode ser limitada a alguns contextos.
A inclusão precisa atravessar a sociedade como um todo.
Hoje, o que se observa é uma falta de preparo generalizada. E não apenas técnica, mas humana.
Faltam espaços.
Faltam adaptações.
Falta compreensão.
Pessoas com deficiência, sejam elas visíveis ou invisíveis, não encontram com facilidade espaços de socialização que sejam, de fato, pensados para elas. Não é comum vermos ambientes de lazer com profissionais preparados para lidar com autismo, com integração sensorial adequada, com previsibilidade, com estrutura.
Algumas iniciativas existem, e são importantes. Espaços sensoriais em estádios, adaptações pontuais em shoppings, sessões de cinema inclusivas. Mas ainda são
exceções.
E a pergunta que fica é simples:
por que isso ainda é exceção?
Pessoas autistas existem todos os dias.
Pessoas com deficiência existem todos os dias.
Então por que a inclusão ainda aparece, muitas vezes, restrita ao mês de abril?
Outro ponto importante é que a informação ainda circula de forma limitada.
Grande parte das palestras, conteúdos e discussões sobre autismo e deficiência são direcionadas a profissionais da área ou às famílias. E, sim, isso é fundamental.
Mas a sociedade também precisa ser incluída nesse processo.
Porque a realidade dessas pessoas não é vivida apenas dentro de clínicas ou casas. Ela acontece no supermercado, no hospital, na rua, na escola, no transporte, nos espaços públicos.
E, nesses espaços, o despreparo é evidente.
Na área da saúde, por exemplo, ainda há uma lacuna importante no manejo de pessoas com deficiência. Falta preparo de equipes médicas, falta orientação para enfermeiros, falta uma recepção adequada. Falta compreender que o atendimento prioritário não é apenas uma placa, mas uma conduta.
Não basta sinalizar.
É preciso saber atender.
E isso passa, principalmente, por um ponto central que ainda é negligenciado: a comunicação.
Muitos comportamentos considerados “disruptivos”, especialmente em pessoas com maiores níveis de suporte, estão diretamente relacionados à dificuldade de comunicação.
Imagine não conseguir dizer que está com dor.
Imagine não conseguir explicar o que está sentindo.
Imagine estar em um ambiente sensorialmente caótico, sem conseguir organizar essa experiência.
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Talita Silva dos Santos
Psicóloga/Neuropsicóloga
CRP/SP 06/187.812








